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Custo de vida

Conta de luz por estado: onde a energia é mais cara no Brasil

Você muda de estado, liga os mesmos aparelhos, gasta os mesmos quilowatts, e a conta chega quase 60% mais cara. É o custo fixo que quase ninguém compara antes de escolher a cidade.

Custo de vidaFileira de medidores de energia elétrica instalados lado a lado em um painel.
Em resumo: entre as grandes distribuidoras do país, a tarifa residencial mais alta é a da Enel Rio de Janeiro, R$ 1,061 por kWh, e a mais baixa é a da Energisa Paraíba, R$ 0,676. Numa casa que consome 200 kWh por mês, isso são R$ 212 contra R$ 135, uma diferença de R$ 77 por mês e cerca de R$ 924 por ano no mesmo consumo. No Distrito Federal, a tarifa da Neoenergia Brasília é de R$ 0,827, no meio da tabela. Todos os valores são as tarifas homologadas pela ANEEL vigentes em 25 de agosto de 2026, sem impostos, e o imposto amplia a diferença em vez de reduzir.

Quem compara duas cidades antes de mudar compara aluguel. Às vezes compara transporte. Quase nunca compara a conta de luz, e ela é um custo fixo que chega todo mês, pelo resto do tempo em que você morar ali.

A diferença não é pequena. A mesma geladeira, o mesmo chuveiro e o mesmo ar-condicionado custam quase 60% a mais em um estado do que em outro, sem que você tenha mudado nada do seu consumo. Mudou de mapa.

Este texto mostra onde a energia é mais cara e mais barata no Brasil, com o dado oficial da ANEEL, explica por que a diferença existe, e mostra como colocar esse número na sua comparação antes de assinar contrato.

01 A régua, porque aqui é fácil se enganar

O número comparado neste texto é a tarifa homologada pela ANEEL para a classe residencial, no subgrupo B1, modalidade convencional. Ela junta duas parcelas: a energia em si e o transporte dela até a sua casa.

Escolhemos comparar sem os tributos de propósito, para que a régua seja a mesma para todo mundo. Só que a conta que chega na sua casa tem mais coisa:

Como o ICMS é percentual e incide por cima, ele não achata a diferença entre estados: ele multiplica. Ou seja, a diferença mostrada aqui é o piso. Na conta real ela tende a ser maior, não menor.

Uma segunda ressalva, e ela vale para o resto do texto: no Brasil quem define a tarifa é a distribuidora, não o estado. Alguns estados têm mais de uma distribuidora, com tarifas diferentes dentro do mesmo território, e São Paulo e Rio Grande do Sul são os casos mais claros disso. Por isso a tabela abaixo fala em distribuidora, e o estado aparece como referência de onde ela atende.

02 As cinco onde a luz é mais cara

Considerando as grandes distribuidoras, com tarifas vigentes em 25 de agosto de 2026:

DistribuidoraOnde atendeR$ por kWh
Enel RioRio de Janeiro, interior e Baixada1,061
Energisa TocantinsTocantins1,006
Energisa Mato Grosso do SulMato Grosso do Sul0,987
Equatorial PiauíPiauí0,947
RGERio Grande do Sul, boa parte do interior0,945

Logo abaixo desse grupo vêm Cemig em Minas Gerais, com R$ 0,903, Energisa Mato Grosso com R$ 0,899 e Equatorial Goiás com R$ 0,892.

Vale registrar a ironia do primeiro lugar: o Rio de Janeiro já é um dos estados de custo de vida mais alto do país, e tem também a energia mais cara entre as grandes distribuidoras. Quem sai de um estado de luz barata para o Rio sente na primeira conta.

E existe um extremo acima desse. Em cooperativas pequenas de eletrificação rural, o quilowatt passa de R$ 1,50: a CERES está em R$ 1,569, quase o triplo do menor valor do país. São poucos consumidores, e por isso elas não entram na tabela principal, mas quem se muda para o interior deve conferir qual é a distribuidora local antes de supor a tarifa do estado.

03 E onde ela é mais barata

DistribuidoraOnde atendeR$ por kWh
Energisa ParaíbaParaíba0,676
CPFL PaulistaSão Paulo, interior0,739
Enel CearáCeará0,750
CelescSanta Catarina0,760
CopelParaná0,768

Um detalhe que mostra por que vale conferir o dado atual em vez de reaproveitar tabela antiga: a Celesc reajustou a tarifa em 22 de agosto de 2026, três dias antes desta checagem, e mudou de posição no ranking. Tarifa não é número parado. Ela é revisada uma vez por ano, em data diferente para cada distribuidora.

04 Quanto isso dá em reais, no seu bolso

Ranking é abstrato. Coloque no consumo de uma casa comum, 200 kWh por mês, que é mais ou menos uma família pequena com geladeira, chuveiro elétrico e um ar-condicionado usado com moderação:

OndeTarifa200 kWh por mêsPor ano
Paraíba0,676R$ 135R$ 1.622
Distrito Federal0,827R$ 165R$ 1.985
Rio de Janeiro, Enel1,061R$ 212R$ 2.546

Entre a Paraíba e o Rio, R$ 77 por mês, ou R$ 924 por ano, só de tarifa, no mesmo consumo, sem contar os impostos que ainda ampliam isso.

Não é um valor que decide sozinho uma mudança. É um valor que, somado a água, gás e transporte, muda a conclusão de qual cidade é realmente mais barata. É por isso que ele precisa entrar na comparação junto do aluguel, e não depois dela.

05 Quanto custa a luz no Distrito Federal

A tarifa residencial da Neoenergia Brasília, que atende o DF inteiro, é de R$ 0,827 por kWh. Isso coloca o Distrito Federal no meio da tabela nacional.

Na prática, para quem está se mudando para cá:

Some a isso um detalhe local que pega quem chega de estado de clima ameno: Brasília tem uma estação seca longa, e o uso de umidificador, ventilador e ar-condicionado nesse período não é luxo, é rotina. O consumo em si tende a subir, não só a tarifa. Está descrito em clima seco em Brasília.

E antes da primeira conta existe uma etapa que costuma ser esquecida: ligar a energia no seu nome, com a documentação certa e na ordem certa. O passo a passo está em luz, água, internet e IPTU em Brasília.

06 Por que a tarifa varia tanto entre estados

A metodologia de cálculo é a mesma para todas as distribuidoras. O que muda é o que entra nela:

  1. O custo da distribuidora. Rede longa, população espalhada e poucos clientes por quilômetro de fio encarecem a distribuição. É por isso que estados de território grande e ocupação dispersa aparecem no topo. A perda por furto de energia também entra aqui.
  2. A fonte da energia e os encargos daquela região. De onde vem a energia contratada, e quais encargos setoriais incidem sobre aquela concessão.
  3. O imposto estadual. Esse nem está na tarifa que mostramos. O ICMS sobre energia varia bastante entre estados e entra por cima, ampliando a diferença que já existe.

Ou seja, a luz não é cara por acaso nem por má vontade da concessionária. É uma soma de conta técnica e de decisão tributária estadual.

07 Como fazer essa comparação antes de decidir

Leva cinco minutos e pode economizar quase mil reais por ano:

  1. Descubra qual é a distribuidora da cidade nova. Não é o estado, é a distribuidora, e alguns estados têm mais de uma. Se for cidade pequena ou zona rural, confira se não é uma cooperativa.
  2. Pegue a tarifa homologada atual nos dados abertos da ANEEL, para a classe residencial B1.
  3. Use o seu consumo real, que está na sua conta de hoje em kWh, não uma média inventada.
  4. Multiplique e compare as duas cidades no mesmo consumo, com a mesma régua. Comparar conta cheia de uma com tarifa seca de outra é o erro mais comum aqui.
  5. Repita para água, gás e transporte. A conta de luz sozinha raramente decide. A soma dos fixos, sim.

O método completo de comparar custo entre a sua cidade e Brasília está em como comparar custo de vida antes da mudança, e a conta fechada dos primeiros meses está em morar em Brasília é caro?.

Seja honesto na conclusão: se a cidade nova oferece emprego melhor, aluguel bem mais barato e rede de apoio, uma tarifa de energia mais alta cabe tranquilo no orçamento. O ponto nunca foi fugir do estado de luz cara. É não ser pego de surpresa. Custo que você previu não é problema. Custo que aparece na primeira conta estraga o orçamento e o humor de quem acabou de chegar.

08 Perguntas frequentes

Qual estado tem a conta de luz mais cara do Brasil?

Entre as grandes distribuidoras, a tarifa residencial mais alta é a da Enel Rio de Janeiro, em R$ 1,061 por kWh, seguida pela Energisa Tocantins com R$ 1,006 e pela Energisa Mato Grosso do Sul com R$ 0,987. Os valores são as tarifas homologadas pela ANEEL vigentes em 25 de agosto de 2026, sem impostos. Considerando também as cooperativas pequenas, o valor mais alto do país é o da CERES, em R$ 1,569 por kWh.

Onde a energia elétrica é mais barata no Brasil?

Entre as grandes distribuidoras, a tarifa residencial mais baixa é a da Energisa Paraíba, em R$ 0,676 por kWh. Depois vêm CPFL Paulista com R$ 0,739, Enel Ceará com R$ 0,750, Celesc de Santa Catarina com R$ 0,760 e Copel do Paraná com R$ 0,768. Considerando cooperativas, o menor valor do país é o da CODESAM, em R$ 0,534.

Quanto custa a energia no Distrito Federal?

A tarifa residencial da Neoenergia Brasília é de R$ 0,827 por kWh nos dados da ANEEL vigentes em agosto de 2026. Isso coloca o DF no meio da tabela nacional: mais caro que São Paulo, Paraná e Santa Catarina, e mais barato que Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

A tarifa da ANEEL é o valor que vem na minha conta?

Não. A tarifa homologada é só a energia mais o transporte dela. Na conta que chega em casa entram ainda o ICMS, que é estadual e varia de um estado para outro, o PIS e a COFINS, a contribuição de iluminação pública do município e a bandeira tarifária do mês. Como o ICMS é percentual e entra por cima, ele amplia a diferença entre estados em vez de reduzir. A comparação por tarifa homologada é o piso, não o teto.

Vale a pena escolher a cidade pela conta de luz?

Sozinha, não. A conta de luz de uma casa de 200 kWh varia cerca de R$ 77 por mês entre o estado mais caro e o mais barato, o que é relevante mas não decide uma mudança contra emprego, aluguel e rede de apoio. O uso certo do número é outro: entrar na comparação de custo fixo antes da mudança, junto com aluguel, água e transporte, para que ele não apareça como surpresa na primeira conta.

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Luz, água, IPTU e transporte entram na comparação junto do aluguel. O guia coloca essas decisões na ordem em que elas aparecem na mudança.

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