Quem compara duas cidades antes de mudar compara aluguel. Às vezes compara transporte. Quase nunca compara a conta de luz, e ela é um custo fixo que chega todo mês, pelo resto do tempo em que você morar ali.
A diferença não é pequena. A mesma geladeira, o mesmo chuveiro e o mesmo ar-condicionado custam quase 60% a mais em um estado do que em outro, sem que você tenha mudado nada do seu consumo. Mudou de mapa.
Este texto mostra onde a energia é mais cara e mais barata no Brasil, com o dado oficial da ANEEL, explica por que a diferença existe, e mostra como colocar esse número na sua comparação antes de assinar contrato.
01 A régua, porque aqui é fácil se enganar
O número comparado neste texto é a tarifa homologada pela ANEEL para a classe residencial, no subgrupo B1, modalidade convencional. Ela junta duas parcelas: a energia em si e o transporte dela até a sua casa.
Escolhemos comparar sem os tributos de propósito, para que a régua seja a mesma para todo mundo. Só que a conta que chega na sua casa tem mais coisa:
- ICMS, que é estadual e muda de estado para estado;
- PIS e COFINS, que variam mês a mês;
- Contribuição de iluminação pública, que é municipal;
- Bandeira tarifária, verde, amarela ou vermelha, conforme o custo de geração do mês.
Como o ICMS é percentual e incide por cima, ele não achata a diferença entre estados: ele multiplica. Ou seja, a diferença mostrada aqui é o piso. Na conta real ela tende a ser maior, não menor.
Uma segunda ressalva, e ela vale para o resto do texto: no Brasil quem define a tarifa é a distribuidora, não o estado. Alguns estados têm mais de uma distribuidora, com tarifas diferentes dentro do mesmo território, e São Paulo e Rio Grande do Sul são os casos mais claros disso. Por isso a tabela abaixo fala em distribuidora, e o estado aparece como referência de onde ela atende.
02 As cinco onde a luz é mais cara
Considerando as grandes distribuidoras, com tarifas vigentes em 25 de agosto de 2026:
| Distribuidora | Onde atende | R$ por kWh |
|---|---|---|
| Enel Rio | Rio de Janeiro, interior e Baixada | 1,061 |
| Energisa Tocantins | Tocantins | 1,006 |
| Energisa Mato Grosso do Sul | Mato Grosso do Sul | 0,987 |
| Equatorial Piauí | Piauí | 0,947 |
| RGE | Rio Grande do Sul, boa parte do interior | 0,945 |
Logo abaixo desse grupo vêm Cemig em Minas Gerais, com R$ 0,903, Energisa Mato Grosso com R$ 0,899 e Equatorial Goiás com R$ 0,892.
Vale registrar a ironia do primeiro lugar: o Rio de Janeiro já é um dos estados de custo de vida mais alto do país, e tem também a energia mais cara entre as grandes distribuidoras. Quem sai de um estado de luz barata para o Rio sente na primeira conta.
E existe um extremo acima desse. Em cooperativas pequenas de eletrificação rural, o quilowatt passa de R$ 1,50: a CERES está em R$ 1,569, quase o triplo do menor valor do país. São poucos consumidores, e por isso elas não entram na tabela principal, mas quem se muda para o interior deve conferir qual é a distribuidora local antes de supor a tarifa do estado.
03 E onde ela é mais barata
| Distribuidora | Onde atende | R$ por kWh |
|---|---|---|
| Energisa Paraíba | Paraíba | 0,676 |
| CPFL Paulista | São Paulo, interior | 0,739 |
| Enel Ceará | Ceará | 0,750 |
| Celesc | Santa Catarina | 0,760 |
| Copel | Paraná | 0,768 |
Um detalhe que mostra por que vale conferir o dado atual em vez de reaproveitar tabela antiga: a Celesc reajustou a tarifa em 22 de agosto de 2026, três dias antes desta checagem, e mudou de posição no ranking. Tarifa não é número parado. Ela é revisada uma vez por ano, em data diferente para cada distribuidora.
04 Quanto isso dá em reais, no seu bolso
Ranking é abstrato. Coloque no consumo de uma casa comum, 200 kWh por mês, que é mais ou menos uma família pequena com geladeira, chuveiro elétrico e um ar-condicionado usado com moderação:
| Onde | Tarifa | 200 kWh por mês | Por ano |
|---|---|---|---|
| Paraíba | 0,676 | R$ 135 | R$ 1.622 |
| Distrito Federal | 0,827 | R$ 165 | R$ 1.985 |
| Rio de Janeiro, Enel | 1,061 | R$ 212 | R$ 2.546 |
Entre a Paraíba e o Rio, R$ 77 por mês, ou R$ 924 por ano, só de tarifa, no mesmo consumo, sem contar os impostos que ainda ampliam isso.
Não é um valor que decide sozinho uma mudança. É um valor que, somado a água, gás e transporte, muda a conclusão de qual cidade é realmente mais barata. É por isso que ele precisa entrar na comparação junto do aluguel, e não depois dela.
05 Quanto custa a luz no Distrito Federal
A tarifa residencial da Neoenergia Brasília, que atende o DF inteiro, é de R$ 0,827 por kWh. Isso coloca o Distrito Federal no meio da tabela nacional.
Na prática, para quem está se mudando para cá:
- Quem vem de São Paulo, Paraná ou Santa Catarina vai ver a conta subir, na casa de 8% a 12% na tarifa;
- Quem vem do Rio de Janeiro, de Minas ou do Rio Grande do Sul vai ver a conta cair;
- Quem vem da Paraíba ou do Ceará vai sentir o maior salto proporcional.
Some a isso um detalhe local que pega quem chega de estado de clima ameno: Brasília tem uma estação seca longa, e o uso de umidificador, ventilador e ar-condicionado nesse período não é luxo, é rotina. O consumo em si tende a subir, não só a tarifa. Está descrito em clima seco em Brasília.
E antes da primeira conta existe uma etapa que costuma ser esquecida: ligar a energia no seu nome, com a documentação certa e na ordem certa. O passo a passo está em luz, água, internet e IPTU em Brasília.
06 Por que a tarifa varia tanto entre estados
A metodologia de cálculo é a mesma para todas as distribuidoras. O que muda é o que entra nela:
- O custo da distribuidora. Rede longa, população espalhada e poucos clientes por quilômetro de fio encarecem a distribuição. É por isso que estados de território grande e ocupação dispersa aparecem no topo. A perda por furto de energia também entra aqui.
- A fonte da energia e os encargos daquela região. De onde vem a energia contratada, e quais encargos setoriais incidem sobre aquela concessão.
- O imposto estadual. Esse nem está na tarifa que mostramos. O ICMS sobre energia varia bastante entre estados e entra por cima, ampliando a diferença que já existe.
Ou seja, a luz não é cara por acaso nem por má vontade da concessionária. É uma soma de conta técnica e de decisão tributária estadual.
07 Como fazer essa comparação antes de decidir
Leva cinco minutos e pode economizar quase mil reais por ano:
- Descubra qual é a distribuidora da cidade nova. Não é o estado, é a distribuidora, e alguns estados têm mais de uma. Se for cidade pequena ou zona rural, confira se não é uma cooperativa.
- Pegue a tarifa homologada atual nos dados abertos da ANEEL, para a classe residencial B1.
- Use o seu consumo real, que está na sua conta de hoje em kWh, não uma média inventada.
- Multiplique e compare as duas cidades no mesmo consumo, com a mesma régua. Comparar conta cheia de uma com tarifa seca de outra é o erro mais comum aqui.
- Repita para água, gás e transporte. A conta de luz sozinha raramente decide. A soma dos fixos, sim.
O método completo de comparar custo entre a sua cidade e Brasília está em como comparar custo de vida antes da mudança, e a conta fechada dos primeiros meses está em morar em Brasília é caro?.
Seja honesto na conclusão: se a cidade nova oferece emprego melhor, aluguel bem mais barato e rede de apoio, uma tarifa de energia mais alta cabe tranquilo no orçamento. O ponto nunca foi fugir do estado de luz cara. É não ser pego de surpresa. Custo que você previu não é problema. Custo que aparece na primeira conta estraga o orçamento e o humor de quem acabou de chegar.
08 Perguntas frequentes
Qual estado tem a conta de luz mais cara do Brasil?
Entre as grandes distribuidoras, a tarifa residencial mais alta é a da Enel Rio de Janeiro, em R$ 1,061 por kWh, seguida pela Energisa Tocantins com R$ 1,006 e pela Energisa Mato Grosso do Sul com R$ 0,987. Os valores são as tarifas homologadas pela ANEEL vigentes em 25 de agosto de 2026, sem impostos. Considerando também as cooperativas pequenas, o valor mais alto do país é o da CERES, em R$ 1,569 por kWh.
Onde a energia elétrica é mais barata no Brasil?
Entre as grandes distribuidoras, a tarifa residencial mais baixa é a da Energisa Paraíba, em R$ 0,676 por kWh. Depois vêm CPFL Paulista com R$ 0,739, Enel Ceará com R$ 0,750, Celesc de Santa Catarina com R$ 0,760 e Copel do Paraná com R$ 0,768. Considerando cooperativas, o menor valor do país é o da CODESAM, em R$ 0,534.
Quanto custa a energia no Distrito Federal?
A tarifa residencial da Neoenergia Brasília é de R$ 0,827 por kWh nos dados da ANEEL vigentes em agosto de 2026. Isso coloca o DF no meio da tabela nacional: mais caro que São Paulo, Paraná e Santa Catarina, e mais barato que Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
A tarifa da ANEEL é o valor que vem na minha conta?
Não. A tarifa homologada é só a energia mais o transporte dela. Na conta que chega em casa entram ainda o ICMS, que é estadual e varia de um estado para outro, o PIS e a COFINS, a contribuição de iluminação pública do município e a bandeira tarifária do mês. Como o ICMS é percentual e entra por cima, ele amplia a diferença entre estados em vez de reduzir. A comparação por tarifa homologada é o piso, não o teto.
Vale a pena escolher a cidade pela conta de luz?
Sozinha, não. A conta de luz de uma casa de 200 kWh varia cerca de R$ 77 por mês entre o estado mais caro e o mais barato, o que é relevante mas não decide uma mudança contra emprego, aluguel e rede de apoio. O uso certo do número é outro: entrar na comparação de custo fixo antes da mudança, junto com aluguel, água e transporte, para que ele não apareça como surpresa na primeira conta.
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Luz, água, IPTU e transporte entram na comparação junto do aluguel. O guia coloca essas decisões na ordem em que elas aparecem na mudança.
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