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Trabalho remoto em Brasília: internet, silêncio e espaço antes de alugar

O anúncio não fala de upload, de ruído às dez da manhã nem de onde o roteador vai ficar. São essas três coisas que decidem o seu dia quando a casa vira escritório, e todas dá para conferir antes de assinar.

Trabalho remotoEscritório montado em casa, com mesa junto à janela ampla e plantas ao lado.
Em resumo: quem vai trabalhar de casa escolhe a região por critérios diferentes de quem vai ao escritório todo dia. O trajeto sai do topo da lista e entram três coisas que dá para verificar antes de assinar: qual provedora atende aquele endereço e com qual velocidade de upload, quanto barulho existe em volta nos horários em que você trabalha, e se algum cômodo aceita virar escritório sem transformar a casa inteira em sala de reunião. As três se checam na visita, e nenhuma se resolve depois.

Tem uma frase que aparece em toda conversa de quem se mudou para Brasília para trabalhar remoto: "eu escolhi pelo preço e me arrependi na primeira reunião".

Não é falta de cuidado. É que a lista de critérios que a gente usa para escolher imóvel foi montada para outra vida, aquela em que você sai de casa às sete. Quando o trabalho acontece dentro do apartamento, oito horas por dia, os itens que decidem são outros, e quase nenhum deles aparece no anúncio.

Este texto é o roteiro do que dá para conferir antes de assinar.

01 A ordem dos critérios muda, e isso libera região

Quem trabalha presencialmente escolhe primeiro pelo trajeto. É o critério mais caro de errar, porque ele cobra duas vezes por dia, todo dia útil.

Quem trabalha de casa quase não usa esse critério. E aí acontece uma coisa boa: regiões que perdiam por distância voltam para a mesa. Se você vai ao escritório duas vezes por mês, meia hora a mais de trajeto custa uma hora por mês, não vinte.

Em troca, três critérios sobem para o topo: internet, silêncio e espaço. O primeiro é verificável por telefone, o segundo só na visita, o terceiro é conta de metro quadrado.

Uma consequência prática, e ela é de dinheiro: com o trajeto fora da conta, o mesmo aluguel costuma comprar mais metro quadrado. O quarto extra que vira escritório é exatamente o que muda o dia de quem trabalha em casa.

02 Internet: o número que decide não é o que está no anúncio

A propaganda de plano de internet fala de download. É o número grande, o que aparece em destaque. Só que o que derruba a sua imagem na reunião é o outro.

Upload é o que carrega a sua câmera e o seu microfone. Em plano de fibra ele costuma ser generoso, e em algumas tecnologias mais antigas ele é uma fração pequena do download. Quando alguém diz "só eu travo na chamada", quase sempre é isso.

As próprias plataformas de videoconferência publicam os requisitos de banda que recomendam, inclusive de subida. Antes de escolher plano, veja o requisito da ferramenta que a sua empresa usa, e pergunte à provedora qual é o upload contratado, não só a velocidade anunciada.

Como conferir o endereço antes de assinar o contrato de aluguel:

Um detalhe de quem já passou por isso: mudança costuma coincidir com prazo de instalação. Se o seu trabalho não pode parar, tenha um plano para a primeira semana, seja o celular como roteador, seja um coworking por alguns dias.

03 Silêncio: o que dá para checar na visita, e o que não dá

Ruído é o item que mais aparece em arrependimento, e o mais difícil de verificar, porque a visita acontece num horário só.

O que dá para checar estando lá:

O que não dá para checar numa visita única é a rotina do prédio. Por isso vale visitar em dois horários diferentes quando o imóvel é candidato de verdade, um deles em dia útil pela manhã, que é quando você vai trabalhar.

Pergunta que resolve rápido: peça ao corretor para ficar em silêncio por um minuto com a janela aberta, e escute. Um minuto parado dentro do imóvel mostra mais do que dez minutos de conversa sobre ele.

04 O cômodo que vira escritório

Não é sobre ter um quarto sobrando. É sobre existir um canto onde a porta fecha, a luz ajuda e a tomada está no lugar certo.

Quatro coisas para olhar com o metro na mão:

Se a casa é compartilhada, some um quinto item: dá para duas pessoas fazerem chamada ao mesmo tempo sem uma escutar a outra? Em casal que trabalha remoto, essa pergunta decide a planta do imóvel.

05 A conta de luz de quem fica em casa

Ficar em casa o dia inteiro muda a conta de energia, e o ar-condicionado é o item que mais pesa nos meses quentes e secos.

Isso entra na comparação entre imóveis, não só no orçamento mensal. Um cômodo com sombra à tarde e ventilação cruzada pode significar meses sem ligar o aparelho. Um cômodo que pega sol o dia todo cobra a diferença todo mês.

Vale também combinar a abertura das contas na chegada, para não descobrir o consumo real só na segunda fatura. Deixamos o passo a passo disso no texto sobre o que abrir no seu nome.

06 Quando o coworking sai mais barato que um quarto a mais

A conta é direta, e quase ninguém faz.

Pegue a diferença de aluguel entre o imóvel com um quarto a mais e o sem, some a diferença de condomínio e a de energia, e multiplique por doze. Compare com o plano mensal de um coworking perto de onde você vai morar, multiplicado pelos meses que você realmente usaria.

O quarto costuma ganhar para quem passa o dia em chamada com câmera, porque privacidade e previsibilidade valem muito. O coworking costuma ganhar para quem faz trabalho silencioso e quer sair de casa por outro motivo, que é conhecer gente numa cidade nova.

Existe um terceiro caminho que funciona bem no primeiro ano: alugar menor e usar coworking por alguns dias na semana, enquanto você ainda está descobrindo as regiões. Compromisso menor enquanto a informação ainda é pouca.

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07 O custo que ninguém coloca na planilha

Mudar de cidade já reduz o seu círculo. Trabalhar de casa reduz de novo, porque tira o escritório, que é onde a maioria das pessoas faz amizade em cidade nova.

Isso é um critério de moradia, mesmo parecendo um assunto de outra ordem. Morar num lugar onde existe padaria, parque e mercado a pé muda a chance de você trocar duas palavras com alguém num dia em que a agenda foi só chamada de vídeo.

Na prática: dê peso para o que existe num raio de dez minutos a pé. Para quem trabalha remoto, esse raio é a cidade inteira em muitos dias.

08 Checklist da visita ao imóvel

  1. Cobertura conferida por CEP em pelo menos duas provedoras, com o upload do plano anotado;
  2. Quem já atende o prédio perguntado ao porteiro ou ao síndico, com o prazo de instalação;
  3. Um minuto de silêncio dentro do imóvel, com a janela aberta e depois fechada;
  4. Entorno mapeado: bar, escola, academia, oficina, obra e via de fluxo;
  5. Segunda visita em dia útil pela manhã, se o imóvel for candidato de verdade;
  6. Cômodo do escritório definido, com direção da janela, tomada e ponto de internet;
  7. Sol da tarde verificado no cômodo onde você vai passar o dia;
  8. Conta do quarto extra contra o coworking feita em doze meses, não em um mês.

09 Perguntas frequentes (FAQ)

Qual velocidade de internet eu preciso para trabalhar de casa?

O número que costuma faltar não é o de download, é o de upload, porque é ele que carrega a sua imagem e a sua voz na chamada. As próprias plataformas publicam os requisitos de banda, e vale conferir os da ferramenta que a sua empresa usa. Na prática, pergunte ao provedor qual o upload do plano, e não só a velocidade anunciada, que quase sempre é a de download.

Como saber se tem fibra no endereço antes de assinar o aluguel?

Consulte por CEP no site de cada provedora que atende a região e confira também os dados públicos da Anatel sobre prestadoras no município. Peça ao proprietário ou ao porteiro o nome de quem já atende o prédio, porque instalação nova em condomínio pode depender de autorização e de infraestrutura interna, o que muda o prazo.

Vale alugar um imóvel maior só para ter escritório?

Depende da conta entre o quarto a mais e o coworking. Some a diferença de aluguel, de condomínio e de energia de um cômodo extra por doze meses e compare com o plano mensal de um coworking perto de casa. Para quem faz muita chamada com câmera, o quarto costuma ganhar. Para quem passa o dia em trabalho silencioso, nem sempre.

Trabalhar de casa em Brasília muda a escolha da região?

Muda a ordem dos critérios. Quem vai ao escritório todo dia escolhe pelo trajeto. Quem trabalha em casa quase não usa esse critério, e passa a decidir por silêncio, qualidade da internet, o que existe a pé em volta e custo por metro quadrado. Regiões que perdem por distância podem ganhar por espaço e sossego.

E o ar-condicionado ligado o dia inteiro?

Ele é o item que mais aparece na conta de luz de quem passa o dia em casa, ainda mais nos meses secos e quentes. Considere isso no orçamento do imóvel: um cômodo bem posicionado, com sombra na parte da tarde, custa menos para climatizar do que um que pega sol o dia todo.

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