Quem planeja uma mudança pesquisa aluguel. Muita gente pesquisa a conta de luz. A água quase nunca entra, porque parece irrelevante perto do resto.
O problema é que ela é mensal, não acaba, e reage ao tamanho da família de um jeito que o aluguel não reage. Uma pessoa a mais em casa não muda o valor do aluguel. Muda a conta de água todo mês, e muda mais do que você imagina.
Este texto traz o ranking das capitais no mesmo consumo, os dois mecanismos que fazem a fatura crescer mais rápido que o gasto, a conta fechada do Distrito Federal e uma divergência que apareceu quando fui conferir o número de Brasília.
01 A régua, porque aqui é fácil comparar errado
A régua deste texto é um consumo fixo de 15 m³ por mês, que é aproximadamente o de uma família pequena, e só o abastecimento de água, sem esgoto. A média nacional nesse consumo é R$ 90,99. Guarde esse número: tudo daqui para frente é acima ou abaixo dele.
Travar o consumo é o que torna a comparação honesta. Se cada cidade entrar com um consumo diferente, o ranking mede hábito de morador, não preço de tarifa.
Uma ressalva vale para o texto inteiro: o ranking mede tarifa residencial de abastecimento. A fatura real depende do seu consumo, do esgoto e das regras de cada companhia.
02 Onde a água é mais cara
| Capital | 15 m³ de água | Contra a média |
|---|---|---|
| Campo Grande | R$ 151,47 | 66% acima |
| Florianópolis | R$ 140,65 | 55% acima |
| Manaus | R$ 119,72 | 32% acima |
| Fortaleza | R$ 111,60 | 23% acima |
| Rio de Janeiro | R$ 111,34 | 22% acima |
Repare que não é uma lista de cidade rica. É uma lista de cidade com problema de captação, de distância até a fonte de água ou de rede cara de manter. Preço de água tem mais a ver com geografia e infraestrutura do que com renda média.
O Rio de Janeiro merece um comentário. Ele já apareceu como a energia mais cara entre as grandes no ranking de conta de luz por estado. Quem se muda para lá pega as duas contas no topo da tabela ao mesmo tempo, e isso soma bem mais do que a diferença de aluguel que costuma justificar a mudança.
03 E onde ela é mais barata
| Capital | 15 m³ de água | Contra a média |
|---|---|---|
| Rio Branco | R$ 40,79 | 55% abaixo |
| Vitória | R$ 58,21 | 36% abaixo |
| São Luís | R$ 58,52 | 36% abaixo |
| Boa Vista | R$ 63,77 | 30% abaixo |
O contraste mais útil não é entre as duas pontas do país, é entre cidades parecidas. Florianópolis e Vitória são duas capitais litorâneas de porte próximo, e a água de uma custa 2,4 vezes a da outra no mesmo consumo. Ninguém vai adivinhar isso pela cara da cidade.
04 O esgoto, que dobra a fatura
Tudo que apareceu até aqui é só abastecimento. O esgoto vem na mesma fatura, e na maior parte do país ele é cobrado como percentual da água, muitas vezes 100%.
No Distrito Federal a regra geral é exatamente essa: o esgoto custa o mesmo que a água. Ou seja, a conta que chega na sua casa é o dobro da tarifa que aparece em qualquer ranking.
Quando comparar duas cidades, some o esgoto dos dois lados. Comparar tarifa de água de um lado com fatura cheia do outro é o erro que inverte ranking.
05 A faixa progressiva, que quase ninguém enxerga
Existe um segundo mecanismo, e ele é o que faz a conta subir mais rápido que o consumo: a tarifa de água é progressiva por faixa. Você não paga um preço único por metro cúbico, paga um preço que sobe conforme o volume.
No Distrito Federal, cada metro cúbico até o décimo terceiro custa R$ 5,15 de água. A partir do décimo quarto, o mesmo metro cúbico passa a custar R$ 10,21. Quase o dobro, num metro cúbico de diferença.
É por isso que família grande, jardim ou piscina mudam a natureza da conta. Não é só consumir mais, é consumir na faixa cara.
06 Quanto isso dá no Distrito Federal
Juntando os dois efeitos, esta é a fatura cheia, com água e esgoto, pela tabela vigente da Caesb:
| Consumo | Conta cheia |
|---|---|
| 10 m³ por mês | R$ 114,34 |
| 15 m³ por mês | R$ 186,08 |
| 20 m³ por mês | R$ 288,18 |
O consumo dobrou de 10 para 20, e a conta foi a 2,5 vezes. É o esgoto multiplicando e a faixa progressiva acelerando, ao mesmo tempo.
O detalhamento da fatura do DF, com o que aparece dentro dela e o que dispara o valor, está em conta de água no DF. E a ordem de abrir as contas no seu nome ao chegar está em luz, água, internet e IPTU em Brasília.
07 A divergência que apareceu ao conferir
Seria desonesto publicar o ranking sem contar isto. Peguei o valor de Brasília no levantamento, R$ 78,31, e refiz a conta pela tabela vigente da Caesb, faixa por faixa. Deu R$ 93,04. Quase 19% a mais.
A explicação mais provável é que o levantamento usou a tabela anterior ao reajuste do DF, que entrou em 1 de junho de 2026. O levantamento também lista Maceió duas vezes com valores diferentes, R$ 66,36 e R$ 84,44, então essa capital ficou fora das tabelas acima.
A conclusão prática é direta: use o ranking para ordem de grandeza, para saber se a cidade é cara ou barata. Não use para prever a sua fatura. Para isso só serve a tabela vigente da companhia da cidade.
08 O que fazer na prática
É chato e funciona:
- Pegue o seu consumo em metros cúbicos, que vem impresso na conta que você paga hoje, e não uma média genérica;
- Procure a tabela de tarifas da companhia de saneamento da cidade nova, que toda companhia publica, e passe o seu consumo por ela;
- Confira se o esgoto é cobrado a 100% ou menos, porque em prédio com sistema condominial de coleta ele costuma cair para 60%, e isso muda dezenas de reais por mês;
- Peça ao proprietário uma fatura recente do imóvel, que responde tudo isso de uma vez e ainda mostra quanto a casa realmente consome.
09 Os três erros de quem compara conta de água
Comparar tarifa com fatura cheia. Um lado com esgoto e o outro sem. É o erro mais comum e ele inverte ranking.
Usar consumo médio em vez do seu. Água depende de quanta gente mora na casa, de ter jardim ou não e de quantas vezes a máquina roda por semana. Nenhuma média captura isso.
Olhar a conta de água sozinha. Ela é pequena. O que muda a decisão é ela somada com luz, IPTU, condomínio e transporte. O método de somar tudo está em como comparar custo de vida antes da mudança.
E seja honesto sobre o tamanho disso. Se você mora sozinho e consome pouco, a diferença entre a capital mais cara e a mais barata é de dezenas de reais por mês, não de centenas, e não vai decidir mudança nenhuma. Se você tem família grande, a faixa progressiva te alcança e aí a diferença fica grande de verdade. O ponto nunca é a água decidir. É a água não ser surpresa.
10 Perguntas frequentes
Qual capital tem a água mais cara do Brasil?
Campo Grande, com R$ 151,47 pelo abastecimento de 15 m³ por mês, 66% acima da média nacional de R$ 90,99. Depois vêm Florianópolis, com R$ 140,65, e Manaus, com R$ 119,72. Fortaleza e Rio de Janeiro aparecem logo abaixo, com R$ 111,60 e R$ 111,34. O valor considera só o abastecimento de água, sem esgoto.
Qual capital tem a água mais barata do Brasil?
Rio Branco, no Acre, com R$ 40,79 nos mesmos 15 m³ por mês, menos da metade da média nacional. Em seguida aparecem Vitória, com R$ 58,21, São Luís, com R$ 58,52, e Boa Vista, com R$ 63,77. Entre Campo Grande e Rio Branco a diferença é de R$ 110,68 por mês, ou R$ 1.328 por ano, pela mesma água.
Quanto custa a conta de água em Brasília?
Pela tabela vigente da Caesb, de 01/06/2026 a 31/05/2027, o abastecimento de 15 m³ sai por R$ 93,04. Mas a fatura que chega é maior, porque no Distrito Federal a regra geral é o esgoto custar o mesmo que a água. Com esgoto, 10 m³ dão R$ 114,34, 15 m³ dão R$ 186,08 e 20 m³ dão R$ 288,18. O consumo dobra e a conta vai a 2,5 vezes.
Por que a conta de água sobe mais rápido que o consumo?
Por dois mecanismos somados. O primeiro é o esgoto, cobrado na maior parte do país como percentual da água, muitas vezes 100%. O segundo é a tarifa progressiva por faixa: você não paga um preço único por metro cúbico. No Distrito Federal, cada metro cúbico até o décimo terceiro custa R$ 5,15 de água, e a partir do décimo quarto o mesmo metro cúbico passa a custar R$ 10,21.
Dá para prever a minha fatura por um ranking de capitais?
Não. O ranking serve para ordem de grandeza, para saber se a cidade é cara ou barata. Ao conferir o valor de Brasília no levantamento, R$ 78,31, e refazer a conta pela tabela vigente da Caesb, o resultado foi R$ 93,04, quase 19% a mais, provavelmente porque o levantamento usou a tabela anterior ao reajuste de junho de 2026. Para prever a fatura só serve a tabela vigente da companhia da cidade, aplicada ao seu consumo em metros cúbicos.
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