Existe um jeito errado de comparar conta de luz entre cidades, e é o mais comum: olhar quanto veio na fatura do amigo que já mora lá. A fatura dele mistura o consumo da casa dele, o tamanho da família dele e o chuveiro dele. Não diz nada sobre a sua.
O jeito certo é comparar o preço do kWh, que é público, e depois aplicar o seu consumo, que também é público para você porque vem impresso na conta que você paga hoje.
Este texto traz o preço do kWh no Distrito Federal, mostra a conta pronta por faixa de consumo, e explica os três mecanismos que fazem a fatura variar sem o consumo mudar: a modalidade tarifária, a bandeira do mês e a tarifa social.
01 Quanto custa o kWh no DF
A distribuidora do Distrito Federal é a Neoenergia Brasília, antiga CEB. A tarifa da classe residencial, chamada de B1 na regulação, é composta por duas parcelas somadas:
- TUSD, a tarifa de uso do sistema de distribuição: R$ 0,42392 por kWh. É o custo de a energia chegar até a sua casa, pelos fios.
- TE, a tarifa de energia: R$ 0,40280 por kWh. É o custo da energia em si.
Somadas, dão R$ 0,82672 por kWh. Esse valor foi homologado pela ANEEL na Resolução Homologatória nº 3.542, de 14 de outubro de 2025, e vale até 21 de outubro de 2026.
Guarde uma ressalva importante, porque ela é a fonte da maior parte da confusão: essa é a tarifa sem tributos. Sobre ela ainda incidem ICMS, PIS e COFINS, mais a contribuição para custeio da iluminação pública, que o Distrito Federal cobra na mesma fatura. A conta que chega na sua casa é maior que a conta feita com a tarifa pura. O que a tarifa pura serve para fazer, e serve bem, é comparação entre cidades e entre modalidades, porque nela o efeito dos tributos aparece igual dos dois lados.
02 A conta pronta, do consumo baixo ao alto
Aplicando a tarifa convencional ao consumo, mais a bandeira amarela de setembro de 2026:
| Consumo no mês | Energia | Bandeira | Soma antes de tributos |
|---|---|---|---|
| 100 kWh | R$ 82,67 | R$ 1,89 | R$ 84,56 |
| 150 kWh | R$ 124,01 | R$ 2,83 | R$ 126,84 |
| 200 kWh | R$ 165,34 | R$ 3,77 | R$ 169,11 |
| 250 kWh | R$ 206,68 | R$ 4,71 | R$ 211,39 |
| 300 kWh | R$ 248,02 | R$ 5,66 | R$ 253,67 |
| 400 kWh | R$ 330,69 | R$ 7,54 | R$ 338,23 |
| 500 kWh | R$ 413,36 | R$ 9,43 | R$ 422,79 |
Repare que aqui não existe faixa progressiva. Diferente da conta de água, que descrevemos em conta de água no DF, a energia é cobrada por preço único por kWh na tarifa convencional. Dobrar o consumo dobra a conta, sem degrau no meio.
Isso muda a estratégia de quem quer economizar. Na água, o alvo é ficar abaixo de uma faixa específica. Na luz, cada kWh vale o mesmo, então o que importa é o total, e o total é dominado por poucos aparelhos: chuveiro elétrico, ar-condicionado e, em casa com criança, a máquina de secar.
03 A tarifa branca: a mesma energia por 88% a mais
Aqui está o número que quase ninguém conhece antes de assinar a migração. Existe uma modalidade opcional, a tarifa branca, em que o preço do kWh muda conforme a hora do dia:
| Modalidade e horário | R$ por kWh | Contra a convencional |
|---|---|---|
| Convencional, qualquer hora | 0,82672 | referência |
| Branca, horário de ponta | 1,35389 | 64% mais cara |
| Branca, horário intermediário | 0,92531 | 12% mais cara |
| Branca, fora de ponta | 0,72102 | 13% mais barata |
Dentro da própria tarifa branca, a distância é de 88%: o kWh de ponta custa R$ 1,35389 e o de fora de ponta custa R$ 0,72102. É a mesma energia, no mesmo fio, na mesma casa. O que muda é a hora do relógio.
O horário de ponta é definido pela distribuidora e cai no fim da tarde e começo da noite dos dias úteis, com o intermediário na hora anterior e na posterior. Ou seja: o intervalo mais caro do dia é exatamente aquele em que a família chega em casa, liga o chuveiro, cozinha e liga o ar-condicionado.
A conta que decide se vale a pena é simples. Cada kWh que você tira da ponta e joga para fora de ponta economiza R$ 0,63287. Se der para deslocar 2 kWh por dia, algo como rodar a máquina de lavar e o forno em outro horário, são 60 kWh no mês, ou R$ 37,97 por mês e R$ 455,67 por ano.
O inverso também é verdade, e é o risco real: quem migra e não muda a rotina paga o pior dos dois mundos, porque o consumo pesado continua caindo na faixa de R$ 1,35389. A tarifa branca não é uma economia, é uma aposta em disciplina de horário. Só faça a migração depois de olhar a que horas a sua casa realmente gasta energia.
04 A bandeira tarifária, e por que a conta varia com consumo igual
A bandeira é um acréscimo definido pela ANEEL mês a mês, igual para o país inteiro, conforme o custo de gerar energia naquele momento. Quando falta chuva nos reservatórios e é preciso ligar térmica, a bandeira sobe.
Em setembro de 2026 a bandeira é amarela, que cobra R$ 1,885 a cada 100 kWh. Numa casa de 300 kWh são R$ 5,66 no mês.
É pouco dinheiro e é muito ruído. Ela é a explicação mais comum para a fatura vir diferente do mês passado com a mesma rotina, e vale saber que ela existe para não procurar defeito no chuveiro quando a variação veio de fora.
05 Tarifa social: os primeiros 80 kWh saem de graça
Na tabela homologada da Neoenergia Brasília existe uma classe chamada B1 Residencial Baixa Renda, e o desconto dela mudou de natureza:
- Consumo de 0 a 80 kWh: 100% de desconto. TUSD e TE zeradas. A energia não é cobrada.
- Consumo acima de 80 kWh: R$ 0,63587 por kWh, contra R$ 0,82672 da convencional. É 23% mais barato.
Traduzindo em conta: numa casa cadastrada que consome 150 kWh por mês, só 70 kWh são cobrados, a R$ 0,63587, o que dá R$ 44,51. A mesma casa na tarifa padrão pagaria R$ 124,01. São R$ 79,50 por mês de diferença.
Os 80 kWh gratuitos valem sozinhos R$ 66,14 por mês na tarifa cheia, quase R$ 794 por ano. Para família que está chegando ao DF em situação apertada, esse cadastro é dos poucos benefícios que não exigem tempo de residência nem fila presencial longa, e vale perguntar sobre ele na distribuidora antes de qualquer outra coisa.
06 O que resolver no primeiro mês
- Ligue a conta no seu nome antes de mudar. Fatura no nome do morador anterior atrapalha cobrança, parcelamento e cadastro em tarifa social. A ordem de abrir cada serviço está em luz, água, internet e IPTU em Brasília.
- Pegue o consumo em kWh da sua conta atual, o número que vem no histórico da fatura, e multiplique pela tarifa deste texto. É a comparação honesta entre a cidade onde você mora e o DF.
- Não migre para a tarifa branca no primeiro mês. Você ainda não sabe a que horas a casa nova gasta energia. Fique seis meses na convencional, olhe o padrão, depois decida.
- Pergunte se o imóvel tem chuveiro elétrico ou aquecimento a gás. É a variável que mais mexe na conta e ela é do imóvel, não sua. Vale entrar na lista de perguntas antes de assinar contrato.
- Some luz com água, IPTU e transporte, e não uma coisa de cada vez. Custo fixo só é comparável em bloco, e o método está em como comparar custo de vida antes da mudança.
Uma conta de luz de R$ 250 não decide se você aceita uma nomeação. Mas ela entra na mesma linha do orçamento em que já estão o aluguel, o condomínio, a água e o IPTU, e é a soma dessas linhas que responde qual imóvel cabe. O erro caro não é escolher a cidade errada. É chegar sem ter somado.
07 Perguntas frequentes
Quanto custa o kWh no Distrito Federal?
Na classe residencial B1 da Neoenergia Brasília, a tarifa convencional é de R$ 0,82672 por kWh, sendo R$ 0,42392 de TUSD e R$ 0,40280 de TE. O valor vale de 22 de outubro de 2025 a 21 de outubro de 2026 e foi homologado pela ANEEL na Resolução Homologatória nº 3.542, de 14 de outubro de 2025. Essa é a tarifa antes dos tributos, então a fatura chega maior: sobre ela ainda incidem ICMS, PIS e COFINS, mais a contribuição de iluminação pública e a bandeira tarifária do mês.
Vale a pena migrar para a tarifa branca no DF?
Depende de quando você usa energia, e a diferença é grande. Na tarifa branca o kWh custa R$ 1,35389 no horário de ponta, R$ 0,92531 no intermediário e R$ 0,72102 fora de ponta. A ponta custa 88% mais que o fora de ponta e 64% mais que a tarifa convencional de R$ 0,82672. Só compensa para quem consegue deslocar consumo pesado para fora do fim de tarde e do começo da noite. Quem cozinha, lava roupa e liga o chuveiro justamente nesse intervalo paga mais na branca do que na convencional.
O que é a bandeira tarifária e quanto ela custa em setembro de 2026?
A bandeira é um acréscimo que a ANEEL define mês a mês conforme o custo de gerar energia. Em setembro de 2026 vigora a bandeira amarela, que cobra R$ 1,885 a mais a cada 100 kWh consumidos. Numa casa de 300 kWh por mês isso são R$ 5,66 no mês. É pouco por conta, mas muda com frequência e é a razão de a fatura variar mesmo com consumo igual.
Existe tarifa social de energia no DF e quanto ela desconta?
Existe, e desde a regra vigente ela zera a conta até 80 kWh por mês para o consumidor cadastrado na classe residencial baixa renda. Na tarifa homologada da Neoenergia Brasília, os primeiros 80 kWh saem com 100% de desconto e o consumo acima disso é cobrado a R$ 0,63587 por kWh, 23% abaixo da tarifa convencional. Numa casa que consome 150 kWh por mês, isso significa pagar apenas 70 kWh a R$ 0,63587, ou R$ 44,51, contra R$ 124,01 na tarifa padrão.
Quanto de energia consome uma casa e como estimar a conta antes de mudar?
Não use média genérica. Pegue o consumo em kWh que aparece na conta que você paga hoje, que toda distribuidora imprime na fatura, e multiplique pela tarifa do DF deste texto. Esse é o número comparável, porque consumo de energia depende de chuveiro elétrico, ar-condicionado, quantas pessoas moram na casa e de haver alguém em casa durante o dia, coisas que nenhuma média captura. Some depois os tributos e a bandeira do mês, que entram por cima.
Use o Guia DF para Nomeados para somar custo, moradia e rotina antes de assinar contrato.
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