Guia DF GuiaDF
Custo de vida

Passagem de ônibus por capital: quanto do salário mínimo ela consome

A mesma ida e volta diária custa R$ 85,80 a mais por mês em uma capital do que em outra. No ano, isso passa de mil reais, e é dinheiro que sai antes de você chegar ao trabalho.

Custo de vidaÔnibus urbano circulando por uma avenida no fim da tarde, com sombras longas sobre o asfalto.
Em resumo: entre as capitais levantadas aqui, a passagem mais cara é a de Belo Horizonte, R$ 6,25, e a mais barata é a de Goiânia, R$ 4,30. Quem faz duas viagens por dia útil, ou 44 no mês, gasta R$ 275,00 em Belo Horizonte e R$ 189,20 em Goiânia. São R$ 85,80 de diferença por mês e R$ 1.029,60 por ano, na mesma rotina. Medido contra o salário mínimo de 2026, de R$ 1.621,00, o transporte come 17,0% em Belo Horizonte e 11,7% em Goiânia. Em Brasília a tarifa é por faixa: R$ 2,70, R$ 3,80 ou R$ 5,50, congelada desde janeiro de 2020. E existe um teto que muda tudo para quem tem carteira assinada, o de 6% do salário no vale-transporte.

Quem compara duas cidades antes de mudar compara aluguel. Às vezes compara mercado. Transporte quase sempre entra como detalhe, porque uma passagem custa poucos reais e parece que a diferença entre uma cidade e outra é troco.

Não é troco. A passagem é o gasto que se repete duas vezes por dia, todo dia útil, pelo tempo inteiro em que você morar ali. Multiplicada por 44 viagens no mês, uma diferença de dois reais na tarifa vira mais de mil reais no ano.

Este texto mostra quanto a passagem custa em cada capital pelo valor oficial de 2026, quanto isso pesa no salário mínimo, e três coisas que quase nenhuma comparação inclui: o teto do vale-transporte, o subsídio que esconde o custo real e a diferença entre morar perto e morar longe dentro da mesma cidade.

01 A régua, e o que ela não mede

Toda conta aqui usa a mesma base, para as cidades ficarem comparáveis:

Três coisas que essa régua deliberadamente não mede, e que empurram o gasto real para cima em quase toda cidade grande:

  1. Baldeação. Quem precisa de dois ônibus para chegar ao trabalho pode pagar duas tarifas em cada perna do trajeto, dependendo de a cidade ter integração temporal e de o horário caber na janela dela. Aí a conta dobra.
  2. Fim de semana e imprevisto. Consulta médica, escola de filho, plantão. O mês real tem mais que 44 viagens.
  3. Quem não usa ônibus. Metrô, trem e BRT às vezes têm tarifa própria e mais cara que a do ônibus na mesma cidade.

Ou seja: os números abaixo são o piso do gasto com transporte, não o teto.

02 As capitais onde a passagem pesa mais

Valores da tarifa comum vigentes em 2026, com o gasto mensal de 44 viagens e o peso sobre o salário mínimo:

CapitalTarifa44 viagens% do mínimo
Belo HorizonteR$ 6,25R$ 275,0017,0%
CuritibaR$ 6,00R$ 264,0016,3%
SalvadorR$ 5,90R$ 259,6016,0%
São PauloR$ 5,30R$ 233,2014,4%
Porto AlegreR$ 5,30R$ 233,2014,4%

Em Belo Horizonte, quem ganha o mínimo entrega 17 centavos de cada real só para ir e voltar do trabalho, antes de comer, pagar aluguel ou conta de luz. Em horas, são 37 horas e 19 minutos de trabalho por mês para pagar o deslocamento até o trabalho.

Repare que a lista não separa cidade rica de cidade pobre. Curitiba e Salvador estão lado a lado, com realidades de renda bem diferentes. Tarifa alta não é sinal de cidade cara em tudo, é resultado de como cada prefeitura decidiu dividir o custo do sistema entre passageiro e orçamento público, que é o assunto do tópico 4.

03 E onde ela pesa menos

CapitalTarifa44 viagens% do mínimo
GoiâniaR$ 4,30R$ 189,2011,7%
Recife e região metropolitanaR$ 4,50R$ 198,0012,2%
Rio de JaneiroR$ 5,00R$ 220,0013,6%

Goiânia está com a tarifa em R$ 4,30 desde 2019, sem reajuste para o usuário. O Rio reajustou em janeiro de 2026 e mesmo assim ficou abaixo de Belo Horizonte, de Curitiba e de Salvador.

A distância entre as duas pontas, Belo Horizonte e Goiânia, é de R$ 1,95 por viagem. Parece pouco. No mês são R$ 85,80, e no ano R$ 1.029,60 por pessoa. Numa casa com duas pessoas trabalhando fora, dobra.

04 O teto de 6% que muda a conta inteira

Aqui está o detalhe que separa duas pessoas na mesma cidade, no mesmo ônibus, pagando valores muito diferentes.

A Lei nº 7.418/1985, que criou o vale-transporte, limita o desconto em folha a 6% do salário básico do trabalhador. O que passar disso é custo do empregador. No mínimo de 2026, esse teto é de R$ 97,26 por mês.

O efeito prático, em Belo Horizonte:

SituaçãoGasto mensal com 44 viagens
Carteira assinada, com vale-transporteR$ 97,26 (teto de 6%)
Autônomo, informal ou sem contratoR$ 275,00

São R$ 177,74 de diferença por mês, ou R$ 2.132,88 por ano, entre duas pessoas que fazem exatamente o mesmo trajeto. Para quem está sem carteira assinada, mudar para uma capital de tarifa alta custa caro de um jeito que não aparece em nenhum ranking de custo de vida.

Vale a ressalva: o vale-transporte é um direito com regra própria, e quem decide se ele se aplica ao seu caso é a área de pessoal do empregador. Este texto é informativo e não substitui essa análise.

05 A tarifa que você paga não é o custo do sistema

Comparar só o preço da passagem entre cidades tem uma armadilha, e o Rio de Janeiro é o exemplo mais claro dela.

O Decreto Rio nº 57.473, de 29 de dezembro de 2025, fixou dois números diferentes para a mesma viagem: a tarifa paga pelo passageiro, R$ 5,00, e a tarifa de remuneração das concessionárias, R$ 6,60. A diferença é subsídio, ou seja, dinheiro público que entra para o preço na roleta ficar mais baixo que o custo declarado do serviço.

Isso aparece de outras formas em outras cidades. Brasília mantém a tarifa congelada desde 2020 por decisão de governo. Goiânia segura o valor ao usuário desde 2019. Curitiba não reajustou em 2026.

Duas leituras práticas disso, para quem está decidindo cidade:

06 Brasília cobra por distância, e isso muda a decisão de bairro

O Distrito Federal não tem tarifa única. A Secretaria de Transporte e Mobilidade do DF trabalha com três faixas:

Tipo de linhaTarifa44 viagens% do mínimo
Circular dentro da regiãoR$ 2,70R$ 118,807,3%
Entre regiões administrativasR$ 3,80R$ 167,2010,3%
Linhas longas e metrôR$ 5,50R$ 242,0014,9%

Os três valores estão congelados desde janeiro de 2020, o que é raro no país e explica por que Brasília aparece barata nessa comparação apesar da fama de cidade cara.

Mas repare no que a tabela realmente diz: no DF, o quanto você paga depende de onde você mora, e não da cidade em que você está. Entre a faixa de R$ 2,70 e a de R$ 5,50 há R$ 123,20 de diferença por mês, ou quase R$ 1.500 por ano, com o mesmo emprego e o mesmo salário.

É a mesma lógica do aluguel, na direção contrária. Morar longe do trabalho costuma baratear o aluguel e encarecer o transporte, e o desconto do aluguel some quando você soma passagem e tempo de deslocamento. Quem vai para o DF precisa fazer essas duas contas juntas, e não uma de cada vez.

07 Como colocar isso na sua decisão

Quatro movimentos, na ordem:

  1. Descubra quantos ônibus são, não quantos reais. O número que importa não é a tarifa, é quantas passagens o seu trajeto real consome por dia. Dois ônibus na ida e dois na volta, sem integração válida, transformam a cidade barata em cidade cara.
  2. Cheque se existe integração temporal e por quanto tempo ela vale. É a regra que decide se a segunda condução do trajeto é grátis ou é tarifa cheia, e ela muda de cidade para cidade.
  3. Some transporte ao aluguel antes de escolher o bairro. Um aluguel R$ 150 mais barato em uma região que exige linha longa não é economia, é troca de rubrica.
  4. Se você não tem carteira assinada, refaça a conta sem o teto de 6%. É a diferença entre R$ 97,26 e R$ 275,00 por mês, e ela decide se a mudança cabe ou não cabe.

E confira a tarifa na fonte antes de fechar o orçamento. Reajuste de passagem sai por decreto ou portaria da prefeitura e vale a partir de uma data específica, então valor de reportagem envelhece rápido.

08 Perguntas frequentes

Qual capital tem a passagem de ônibus mais cara?

Entre as capitais levantadas aqui, Belo Horizonte, com R$ 6,25 na tarifa troncal desde 1º de janeiro de 2026, pela Portaria SUMOB nº 122/2025. Depois vêm Curitiba com R$ 6,00, Salvador com R$ 5,90, São Paulo e Porto Alegre com R$ 5,30 e Rio de Janeiro com R$ 5,00.

Quanto custa a passagem de ônibus em Brasília?

O Distrito Federal cobra por faixa: R$ 2,70 nas linhas circulares dentro da própria região, R$ 3,80 nas ligações entre regiões administrativas e R$ 5,50 nas linhas longas e no metrô, segundo a Secretaria de Transporte e Mobilidade do DF. Os valores estão congelados desde janeiro de 2020.

Quanto do salário mínimo a passagem consome por mês?

Considerando duas viagens por dia em 22 dias úteis, ou seja, 44 passagens no mês, e o salário mínimo de R$ 1.621,00 em 2026: são 17,0% em Belo Horizonte, 16,3% em Curitiba, 16,0% em Salvador, 14,4% em São Paulo e Porto Alegre, 13,6% no Rio de Janeiro, 12,2% no Recife e 11,7% em Goiânia. Quem depende de baldeação sem integração paga o dobro disso.

O vale-transporte cobre toda a passagem?

Para quem tem carteira assinada, a Lei nº 7.418/1985 limita o desconto em folha a 6% do salário básico, e o empregador arca com o que passar disso. No salário mínimo de 2026 esse teto é de R$ 97,26 por mês. Quem é autônomo, informal ou está sem contrato paga o valor cheio, e é aí que a diferença entre capitais aparece no bolso.

A tarifa que o passageiro paga é o custo real do sistema?

Quase nunca. No Rio de Janeiro, o Decreto Rio nº 57.473/2025 fixou em R$ 5,00 a tarifa paga pelo passageiro e em R$ 6,60 a tarifa de remuneração das concessionárias, com a diferença coberta por subsídio público. Tarifa congelada por decisão política não significa sistema barato, significa que a conta está sendo paga em outro lugar.

Guia DF para Nomeados
A conta cheia, não só o aluguel

Use o Guia DF para Nomeados para somar transporte, moradia e rotina antes de assinar contrato.

Passagem, integração, distância até o trabalho e aluguel entram na mesma conta. O guia coloca essas decisões na ordem em que elas aparecem na mudança.

Comprar o Guia DF por R$ 97

09 Leia também